O que é Uberização do trabalho?

Conheça o conceito de Uberização do trabalho e o que causa. Tema pode cair em provas de ENEM, vestibulares e concursos em geral.

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Os avanços tecnológicos mudaram o comportamento do consumidor e criaram um novo modelo de negócios sob demanda. Nesse contexto, surge a uberização do trabalho. Continue lendo abaixo para entender o conceito desse termo, pois ele pode cair em provas do ENEM, vestibulares e concursos.

O termo faz referência a empresa Uber, que é a maior empresa de transporte do mundo sem ter uma frota de carros. Isso uma vez que a Uber não é uma empresa de transporte de fato, mas sim um aplicativo que conecta passageiros a motoristas, ou seja, cria uma ponte entre a oferta e a procura.

Assim como a Uber, diversas empresas de tecnologia, por meio de aplicativos, fazem a mediação entre clientes e prestadores de serviços, sejam motoristas, entregadores, babás, faxineiras, cuidadores de idosos, professores, entre outros.

Portanto, uberização do trabalho é a modernização das relações de trabalho decorrente da popularização dos aplicativos de contratação de serviços.

O valor cobrado aos clientes e remunerado aos trabalhadores por esses serviços não é fixo, ele é determinado por algoritmos. Os preços variam de acordo com a demanda, o dia, o horário, a localidade, entre outros fatores.

Como são as novas relações de trabalho com a uberização?

Nessa dinâmica, ocorre uma informalização nas relações trabalhistas. Isso porque os trabalhadores que prestam serviços a esses aplicativos não tem qualquer vínculo empregatício com as empresas. Eles parceiros e não empregados.

Uberização do Trabalho
Uberização do Trabalho (Foto: Marcello Casal/Agência Brasil)

Ao captar novos parceiros, os aplicativos garantem flexibilidade, liberdade, retorno financeiro rápido, possibilidade de renda extra e mais tempo para vida pessoal. Além disso, os apps oferecem cadastro sem burocracia para ambas partes.

Frequentemente, as empresas também denominam os prestadores de serviços como empreendedores, pois eles quem definem seu horário de trabalho e são seus próprios chefes.

Uberização é alternativa ao desemprego

Nos últimos anos, a crise econômica e o alto índice de desemprego contribuiu para que o número de trabalhadores de aplicativos aumentassem exponencialmente. De acordo com o IBGE, o número de pessoas que trabalha como motoristas de aplicativo, taxistas e motoristas e trocadores de ônibus, aumentou 29,2% em 2018, a maior alta desde 2012.

Com a pandemia de Covid-19, o desemprego aumentou e muitas pessoas recorreram aos aplicativos como uma alternativa de sobrevivência. Segundo estatísticas da Análise Econômica Consultoria, o número de trabalhadores de aplicativos de entregas de refeições cresceu 158% no primeiro semestre de 2020. 

Uberização causa a precarização do trabalho

Para muitos especialistas, a uberização é sinônimo de precarização do trabalho. Isso porque, por não serem contratados formalmente, os trabalhadores por aplicativos não têm direitos ou garantias trabalhistas, como auxílio doença, férias remuneradas, 13º salário e previdência social.

Uberização do Trabalho
Uberização do Trabalho (Foto: Edu/Twiiter)

Os ganhos dos trabalhadores de app dependem da quantidade de horas trabalhadas. Para ganhar o mínimo para sobreviver, eles precisam trabalhar muitas horas por dia, sem a alimentação e o descanso essenciais. Além disso, os trabalhadores quem devem arcar com os custos do trabalho e dos equipamentos necessários, como carro, motocicleta, bicicleta, mochila térmica, entre outros.

Segundo um estudo recente da Associação Aliança Bike, os cerca de 30 mil ciclistas entregadores de app da cidade de São Paulo trabalham, em média, 12 horas por dia, durante os sete dias da semana, para ganhar menos de mil reais por mês.

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Para piorar, com um número cada vez maior de trabalhadores autônomos nesse setor, os ganhos por serviços diminuíram. O resultado disso é que, para receber a mesma quantia que ganhava há um ano, um entregador por app, por exemplo, precisa realizar o dobro de entregas. 

Eles também devem se preocupar com a qualidade dos serviços, pois são avaliados pelos usuários. Os trabalhadores precisam ter uma boa pontuação para continuar recebendo demandas e não serem bloqueados do app.

A oscilação de renda, o trabalho em excesso, a insegurança e a pressão psicológica das avaliações provocam estresse, ansiedade, doenças laborais, como lesão por esforço repetitivo (LER), e acidentes de trânsito, no caso de entregadores e motoristas.

Uberização do Trabalho
Uberização do Trabalho (Foto: Reprodução/Toni D’Agostinho)

Pandemia agravou a situação de uberização do trabalho

A precarização das condições de trabalho nos apps piorou com a pandemia, o que levou à greve nacional. Os entregadores de app se tornaram essenciais no isolamento e se expõem ao risco de pegar a doença.

Com a oferta maior do que a demanda, eles também precisam trabalhar mais horas por dia para garantir o sustento. De acordo com um estudo publicado na revista Trabalho e Desenvolvimento Humano neste ano, a taxa de entregadores de aplicativos que trabalham entre nove e 14 horas por dia subiu de 54% para 56,7% durante a pandemia; a maioria também trabalha todos os dias da semana.

Mais da metade dos entregadores (58,9%) também afirmaram que tiveram queda da remuneração durante a pandemia. A pesquisa foi feita com trabalhadores de 29 cidades do país.

Com informações do Quero Bolsa, parceiro do Castro Digital.

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Sobre o autor | Website

Blogueiro há 11 anos da área de Educação e Concursos, já publiquei mais de 5 mil notícias neste site; Jornalista Técnico (Registro Nº 1102-MA - Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão - SRTE-MA).

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