A incógnita do moralismo II: comercial O Boticário sobre o Dia dos Namorados 2015 – Por Cristiane Lopes*
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E mais uma vez a questão “moralistas versus libertários” reacendeu, e desta vez foi ocasionada pela campanha 2015 do Dia dos Namorados da empresa O Boticário. Nas cenas do comercial aparecem casais heterossexuais e homossexuais presenteando seus namorados e comemorando a data especial. Até então algo que deveria ser tido como normal, já que todos possuem o direito de serem felizes independente de suas escolhas.
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Mas, infelizmente, a maior parte da população brasileira é preconceituosa, intransigente e intolerante e obviamente essas pessoas amontoaram a empresa de críticas, óbvio que com aquelas frases de sempre, como:
“Ah, mas isso é uma afronta à família tradicional brasileira!”;
“Estão banalizando o assunto, não podemos aceitar isso!”;
“Meus filhos assistem televisão e não podem ver cenas assim. Como vou explicar para eles?”.

E se não bastassem as demonstrações preconceituosas nas redes sociais e no link do vídeo no YouTube, muitas pessoas foram ao site da empresa, buscaram a opção “Reclame aqui” e encheram de frases repudiando o comercial, afirmando que a empresa fez uma campanha com essa conotação apenas para garantir o público homossexual como clientes assíduos e alguns até ameaçaram deixar de consumir os produtos da empresa em forma de protesto.
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Pois bem, o preconceito a cada dia que passa se perpetua na sociedade brasileira levando muitas pessoas a intolerância e ao radicalismo quando o tema é a relação homoafetiva. Mas até quando viveremos assim?
Até quando vamos precisar escrever a parte III, IV ou V de um texto que aborde a incógnita moralista de uma sociedade preconceituosa e hipócrita?
Sim, a sociedade, em sua maioria, vive envolta a um conceito de moral deturpado, conceito esse inventado para deixar que os moralistas sigam na sua zona de conforto reformulando conceitos que estigmatizam a sociedade de acordo com o que eles aceitam como correto, quando na verdade o correto é que todos vivam felizes com as escolhas que fizeram.
Só teremos uma sociedade que aceite todas as formas de afeto quando a palavra respeito for compreendida e colocada em prática, enquanto isso não acontecer seguiremos presenciando atitudes ignorantes, violência e falso moralismo, pois como disse no artigo A incógnita do Moralismo parte I: “fingir um novo conceito sobre moral tornou-se mais fácil que aceitar as escolhas do próximo”.
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*Cristiane Lopes é acadêmica de Pedagogia no campus de Bacabal da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).
Foto: reprodução do vídeo.

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