O que comemorar no aniversário de 94 anos da cidade de Bacabal – MA? – Por Rubenil Oliveira

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O que comemorar nesses 94 anos de emancipação política de Bacabal? Cidade que desde 1988 é a minha cidade. Orgulho-me dos ensinamentos que nela aprendi, porém não sou cego ou tonto em não admitir que essa mesma cidade nada desenvolveu. Lembro-me que ainda bebi Café Bacabal e hoje, ao passar em frente à antiga fábrica é só lembrança.

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Das usinas conheci apenas os galpões e algumas histórias dos áureos tempos do “ouro branco”, dos babaçuais apenas as palmeiras, representativas, imagem-símbolo da cidade, que a cada dia são derrubadas para dar lugar aos pastos.

Não diria que Bacabal não tem história, tem história e histórias que precisam ser urgentemente resgatadas e escritas para que não sejam levadas para o túmulo daqueles que a conservam. Alguns me dirão que sou cético ou oposicionista, que não quero ver o lado bom, são várias universidades, sim concordo, temos UEMA, UFMA, FEBAC, UNICEUMA E FACAM, porém muitos dos nossos egressos acabam por procurar emprego em outras cidades por não os terem aqui.

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Dar vergonha saber que nos anos 80 tínhamos Clínica Santa Joana, Hospital Regional Drª Laura Vasconselos Hospital Bom Pastor, Hospital Santa Teresinha, Hospital Veloso Costa e Hospital José Amorim e hoje, o que temos? Apenas prédios deteriorados pela ação do tempo.

Da educação, lembro-me ainda das disputas no 7 de setembro para ver quem era a melhor escola – CEMA, antigo Ginásio Bandeirantes, Colégio Municipal, o hoje Colégio Militar Tiradentes, o CEEC, o CE Roseana Sarney (Tia Isabel Castro Viana, Tia Aracy, Tia Das Neves e professores que ensaiavam conosco para darmos o nosso melhor), das meninices no Thales Ribeiro Gonçalves e a ternura de Tia Toinha “Antonia Nóia Lacerda”, Tia Sebastiana Rocha Silva, Tia Neta “Maria José Costa”, Tia Domingas Silva e Tia Amparo Rodrigues.

Tempos em que o aniversário da cidade era uma festa memorialista e nessa memória lembrei-me de Raimundo Wilson (in memorian) que me deu a oportunidade de na adolescência pesquisar sobre os antigos nomes das ruas de Bacabal, algo que se perguntado hoje, muitos não saberão responder por exemplo onde fica a Rua do Maxixe, a Rua da Salvação, a Rua dos Guimarães ou ainda quem foi José Bonifácio, Maria Marques Fabrício.

Saúde e educação eram outras, hoje, padecemos com um só hospital para todos os casos ou com hospital servindo de rodoviária de ambulâncias para transportar doentes para São Luís e completar o estado de superlotação dos Socorrões de lá que já não suprem a demanda da capital e o pior, termos de procurar cidades de menor porte como Alto Alegre do Maranhão, Peritoró e Presidente Dutra. Nada contra essas cidades, apenas para registrar a vergonha que é hoje a saúde pública de Bacabal, onde os acadêmicos dos cursos de saúde têm que procurar outras localidades para completar sua formação “Estágio”, porque aqui não há espaço, mesmo tendo excelentes profissionais.

Ainda vi uma nota bizarra, um concurso de redação que pedia aos alunos que escrevessem sobre três motivos para Bacabal comemorar seus 94 anos e um aluno atônito a me perguntar sobre como ele realizaria essa tarefa se ele não via fatos positivos, o que ele via era ruas esburacadas, falta de segurança e descaso com a saúde. Simplesmente disse a ele: fale sobre o passado ou desista, pois não há esses três fatos no agora. Não, não há motivos para comemorar e se fosse relatar todos os problemas de Bacabal hoje, essa página é insuficiente e eu teria uma outra tarefa – escrever um livro.

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*Rubenil Oliveira é professor da rede pública estadual de educação do Maranhão, licenciado em Letras (UEMA) e mestrando em Letras (Universidade Estadual do Piauí – UESPI).

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Sobre o autor | Website

Blogueiro há 11 anos da área de Educação e Concursos, já publiquei mais de 5 mil notícias neste site; Jornalista Técnico (Registro Nº 1102-MA - Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão - SRTE-MA).

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3 Comentários

  1. Unknown disse:

    Este comentário foi removido pelo autor.

  2. Marilurdes disse:

    As memórias sempre serão bem vindas, mas que pena não podermos fazer a memória literária que a Olimpíada de Língua Portuguesa tanto quer dos alunos de 7º e 8º anos escreverem sobre o lugar onde vivem. Louvado seu resgate histórico, parabéns.bjos

  3. Utopia disse:

    Triste a situação de nossa cidade: Buracos por todas as ruas,caos na saúde pública, educação sem investimento e valorização do professor. Os políticos inoperantes, imprensa e justiça cegas.
    Pelo tamanho da cidade e o número de sua população era para se termos grandes hospitais equipados, educação pública de qualidade, segurança nas ruas e em nossas casas, projetos sociais, envolvendo os jovens e suas famílias sem assistencialismo interesseiro, área de lazer e esporte para a população .
    Será se é querer muito dos poderes ( Judiciário, Legislativo e Executivo) de nossa cidade?