Estratégia errada, derrota anunciada – Por Zé Lopes*

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Agora que a tempestade passou, os ânimos se acalmaram e a cidade retomou o seu curso “normal”, pode-se analisar fria e calmamente o momento político por que passou, passa e, até, passará a nossa tão querida e festejada Bacabal, que viveu no último dia 7 de outubro, uma das eleições mais tranqüilas e mais óbvias de sua conturbada história.

Embalada pelo desgaste natural de Dr. Lisboa, isso por governar por dois pleitos seguidos, a boa terrinha teve durante esses oito anos um crescimento visivelmente acentuado fazendo dele, o prefeito que mais trabalhou a parte física da cidade. Já politicamente, ele que foi muito bem em muitas áreas, não teve um bom desempenho no esporte, na cultura e na sua maior expressão de vida, a saúde. Por ser um conceituado médico e por não conseguir achar o remédio para os males que assolam Bacabal, esse torpor foi fundamental no resultado das urnas.

O ex-prefeito, deputado federal e candidato a prefeito José Vieira Lins, que teve a sua candidatura retirada na última hora – o mesmo aconteceu com Taugi Lago, nove anos atrás – em um raro momento de sombra mental, tinha duas opções que poderiam salvar a sua ausência e até ganhar a eleição. A primeira seria – “O 22 renunciou, agora é 10”, e derramar todo o suor na candidatura de Nonato Chaves e a segunda, que seria a mais coerente, era apoiar o seu vice, o Dr. Júnior, que já é do grupo, foi vice do Dr. Lisboa e estava no calor da campanha. José Vieira escolheu a terceira opção, e como sua substituta, lançou a sua desconhecida esposa, Patrícia Vieira e o resultado foi catastrófico, uma gigantesca derrota, derrota até pra si mesmo, pois os 28% de abstenção, especula-se que seriam votos de seus eleitores, que não foram as urnas, para mostrar o descontentamento com a sua escolha. A coisa pareceu desconfiança de ambas as partes para botar na ponta o seu candidato, pior para Zé Vieira que provou do próprio veneno e com a derrota proporcionou o fim da oposição em Bacabal.

Por outro lado, com uma vida política bastante ativa, o engenheiro e ex-vereador Nonato Chaves, terceiro colocado na corrida pela prefeitura, chegou a margem dos 10% dos votos e com isso elegeu dois vereadores. Nonato surgiu como opção, mas com a polarização das candidaturas dos Zés, a sua votação pode ser considerada muito boa e já é um nome forte para as próximas eleições , visto que continua na sua atividade política, surgindo como pretenso candidato a deputado estadual em 2014.

De nome leve, exímio comerciante, o vencedor José Alberto Veloso, foi de uma assessoria genial ao anular o político mais crescente de Bacabal, Ilton Viana, e trazer para ser sua vice, a atual vice-prefeita Taugi Lago que é esposa do ex-prefeito Jurandir Lago e mãe do atual Secretário de Turismo, Jura Filho que já foi deputado estadual e também vice-governador e como seu maior trunfo, o senador João Alberto, que foi muito presente na campanha.Espelhando-se na história recente e crescente de seu filho, José Alberto Filho, que em apenas dois anos de carreira se elegeu a vereador em Bacabal e logo em seguida a deputado federal, Zé Alberto tem na pessoa de sua irmã Doralice Veloso, primeira grande política da família, um apoio crucial, já que por vários anos, ela exerceu em nossa cidade o mandato de vereadora. Zé Alberto entra na política bacabalense com os dois pés bem calçados com as suas botas de couro cru, pois vai achar uma cidade fisicamente estruturada, tem todos os vereadores, uma população sedenta de mudança, faminta de coisas novas, o governo estadual ao seu lado e conseqüentemente o federal.

Com tantos acordos, coligações, negociações e com a participação ativa da tríade Jotal, João, Jura e Jurandir, que com certeza terá força na administração, Zé Alberto não terá facilidade para montar seu secretariado, não por pressão, mas por ter muitos nomes para cada área e até por ter que remanejar vereadores para assentar alguns suplentes. Se ele conseguir administrar a cidade como consegue administrar as suas empresas, a população pode esperar melhorias e que o responsável por cada área, que conheça o assunto, para que não seja mais um Zé a escrever o nome no obituário de uma cidade que agoniza e insiste em não morrer… E viva Bacabal e viva o novo e que Edite, a santa filha da terra, rogue por nós por esses quatro anos… Amém.

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José Lopes Filho (Zé Lopes) é bacabalense, cantor e compositor. Publicado originalmente no Blog do Louremar.

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Blogueiro há 11 anos da área de Educação e Concursos, Jornalista Técnico (Registro Nº 1102-MA - Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão - SRTE-MA).

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