Morador de rua é candidato a deputado estadual

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Empresário falido com o confisco no governo Collor, José de Camargo, 62, que mora na rua há 11 anos, decidiu candidatar-se a deputado estadual pelo PRTB no Paraná.

Com uma motoneta, comprada com o dinheiro que arrecadou catando latinhas e outros materiais recicláveis e coberta de adesivos do partido (ele ainda não foi buscar os próprios santinhos), o sem-teto diz que costuma pedir votos na rua, sozinho.

Se eleito, o candidato quer criar uma comunidade de recuperação de dependentes químicos na região de Curitiba e atuar como representante dos catadores de lixo contra “o lobby das grandes empresas” do setor de limpeza.

“Quero ser deputado para acabar com o monopólio do lixo neste país e, anote aí, que em 2014 serei candidato à Presidência”, afirma.

Zezé de Camargo – como é conhecido num galpão abandonado na periferia de Curitiba, onde mora sob a permissão do proprietário do imóvel – conta que foi parar na rua após problemas financeiros graves seguidos de uma crise de depressão e cinco tentativas de suicídio.

Pai de quatro filhos do casamento e outros quatro frutos de “produção independente”, Zezé afirma que é dependente de álcool desde os sete anos de idade.

Nos dias em que trabalha até 18 horas como catador, Zezé consegue fazer R$ 100. Quando não vai para o “mocó”, local de abrigo dos catadores, ele pode ser encontrado numa velha camionete que também é improvisada como casa.

Os problemas pessoais e sua história nas ruas começaram quando ele, dono de uma factoring (empresa que presta financiamentos e empréstimos), sofreu calotes devido ao Plano Collor.

“Vou continuar minha vida de morador de rua”, diz ele, caso seja eleito.

“A rua é minha vida. Aqui me sinto útil ajudando as pessoas”, afirma Camargo, que ganhou o apelido de Zezé devido à semelhança, quando criança, com a atriz e comediante Zezé Macedo.

“Na época, não gostava. Mas é óbvio que agora é bom, por causa da associação com Zezé Di Camargo e Luciano”, afirma, numa referência à dupla sertaneja.

Zezé diz que, antes mesmo de ir morar na rua, enfrentou problemas graves.

Conta que em 1969 se envolveu num tiroteio em uma boate de prostituição e que em 1977 atropelou um pedestre, que acabou morrendo.

“Mas há muito tempo eu sou um cara de paz.”
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Referência: Comentando os Fatos.

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Blogueiro há 11 anos da área de Educação e Concursos, já publiquei mais de 5 mil notícias neste site; Jornalista Técnico (Registro Nº 1102-MA - Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão - SRTE-MA).

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