Software Livre, tendência ou modismo – Por Allan Alexandre*

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Bem, vamos iniciar nossa discussão pela parte chata, porém importante, que são os conceitos de Software Livre e Código Aberto.

Segundo a definição criada pela Free Software Foundation, se você pode pegar um programa qualquer, usar, copiar, alterar ou distribuir para os seus amigos sem restrição alguma esse programa tem o conceito de software livre. Mas se engana quem pensa que por ser um software livre, não proprietário, que o seu criador não almeje lucro com ele. A maneira usual de distribuição de software livre é anexar a este uma licença de software livre, e tornar o código fonte do programa disponível.

As licenças de software livre permitem que eles sejam vendidos, mas estes em sua grande maioria estão disponíveis gratuitamente.

Uma vez que o comprador do software livre tem direito às quatro liberdades listadas, ele poderia redistribuir este software gratuitamente ou mediante remuneração. As versões pagas geralmente são acompanhadas de algum tipo de serviço adicional, como direito a suporte técnicos por determinado período e manuais, por exemplo.

Mas não confunda software livre com código aberto. Muitos defensores do software livre argumentam que a liberdade é valiosa não só do ponto de vista técnico, mas também sob a ótica da moral e ética. É neste aspecto que o movimento de software livre, encabeçado pela FSF (Free Software Fundation) se distingue do movimento de código aberto, também conhecidos como Open Source, encabeçado pela OSI (Open Source Initiative), que enfatiza a superioridade técnica em relação a software proprietário, ao menos em potencial

Enquanto o foco do movimento encabeçado pela FSF chama a atenção para valores morais, éticos, direitos e liberdade, o movimento encabeçado pela OSI defende um discurso mais agradável às empresas.

Para o Movimento do Software Livre, que é um movimento social, não é ético aprisionar conhecimento científico, que deve estar sempre disponível, para assim permitir a evolução da humanidade. Já o movimento pelo Código Aberto, que é um movimento mais voltado ao mercado, prega que o software desse tipo traz diversas vantagens técnicas e econômicas.

Na teoria tudo isso é muito bonito, muito legal, mas e na prática, funciona? É uma tendência? Vamos mudar tudo que temos?

Calma, a vida não é bem assim. Por maiores que sejam as iniciativas públicas e privadas de implementação de softwares livres, ainda é pequeno o número de computadores no mundo que abraçam essa causa. O Linux, maior sistema operacional de código aberto e maior concorrente do Windows, roda em apenas 3% das máquinas em todo o planeta, em números otimistas.

As razões para isso são várias: dificuldade de instalar programas, interface nem sempre amigável, assistência técnica rara e demorada e a falta de compatibilidade com alguns aplicativos feitos para Windows.

Os esforços dos defensores do software livre têm tentado diminuir essas diferenças, como acontece com o OpenOffice. Similar em quase tudo ao Office, o pacote de aplicativos da Microsoft, o OpenOffice permite aos usuários passar de uma plataforma Linux para Windows sem perdas nos documentos.

Apesar do número crescente de usuários de software livre, especificamente do sistema Linux, ainda não há uma demanda suficiente de técnicos qualificados que torne os custos mais baixos e acelere o desenvolvimento, suporte e administração dos sistemas. Enquanto isso, para o sistema Windows existe pessoal capacitado para dar suporte técnico em abundância, devido à grande massa de usuários.

Como educador ministro aulas de Linux e por experiência, acredito que os alunos recém ingressados no mundo digital ao se depararem com as alternativas Software Pago (baseados em Windows principalmente) e Software Livre (baseados em Linux) tem uma grande tendência a ficar com o que se mostra mais intuitivo, que o colega ao lado domina e pode lhe passar algumas dicas, ou até mesmo com o que faça tudo por ele com um clique de mouse. Talvez seja uma das causas para a escassez de mão de obra especializada em software livre

E viva a diversidade!
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IMAGEM - Allan Alexandre

*Allan Alexandre – Msc em Bioengenharia, Engenheiro no projeto do supercomputador CPTEC/INPE, docente no Senac-SP, FATEA e UNIVAP, especialista em Engenharia de Software, Redes e infra-estrutura.

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Sobre o autor | Website

Blogueiro há 11 anos da área de Educação e Concursos, já publiquei mais de 5 mil notícias neste site; Jornalista Técnico (Registro Nº 1102-MA - Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão - SRTE-MA).

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3 Comentários

  1. Anônimo disse:

    O problema é que o linux em si é muito diversificado. Falam tanto de windows, mas se você mexe em uma versão, você mexe em todas. Agora, no linux, se vc aprende Ubuntu, não sabe Mandriva. Se aprende Mandriva, não sabe Debian. E aí, como fica?
    Talvez se fosse mais centralizado, ao invés de 1351345234 distros, seria bem mais fácil…

  2. Anônimo disse:

    Excelente post, assunto interessante (sempre comentado "a boca miúda" entre Técnicos).

    Darei meu "pitaco" visto que desde 1985 estou na área:

    Costumo dizer aos colegas que, para se utilizar um Linux na sua plenitude é preciso "pai rico" e muito tempo disponível (itens escassos hoje em dia) ou, se conformar com um "pacote" que não migrará para o próximo hardware daqui dois anos.

    A "vantagem" é que não se "paga" nada pelo Sistema Operacional, o gasto de tempo para desenvolver é do utilizador (não sei o de vocês mas, meu "tempo" é caro.

    Nos sistemas pagos (como os da Microsoft), estamos pagando para que alguém pense por nós, desenvolvam ferramentas e quetáis para só usufruirmos (pagamos para sobrar mais tempo para que possamos ganhar mais noutra área).

    Cansei de ver firmas desenvolverem "pacotes" de Linux e ganharem uma baba, dalí um tempo a firma fecha e os usuários ficam sem suporte (o infeliz ou parte "prás cabeças" para se virar e continuar adaptando o SO às suas necessidades ou migra para outra plataforma).

    De meu lado, se der na cabeça de instalar um Windows 2000 numa máquina antiga, é só caçar atualizações na rede que encontrarei (claro que o equipamento navegará com óbices mas, servirá ainda para muita coisa – que com um Linux "antigo" provavelmente não ocorra.

    A última trincheira dos adeptos ao Linux é a segurança kkkk, esse baluarte caiu.

    Encontro um servidor após o outro contaminados com pragas diversas, na verdade um "servidor Linux" hoje em dia é facilmente substituido por um bom roteador (com a vantagem de deixar a rede mais "clean" – hehe).

    Se você quer segurança: capacite os usuários, proteja os terminais (com um bom antivírus, um antispyreware, um antimalware e algum programinha para pegar vírus de pendrive; crie um "padrão de intalação" e uma "oficina" com Técnico competente – se a empresa contar com mais de 30 equipamentos de informática = 1 Técnico – a relação é de um Técnico para cada cinqüenta equipamentos.

    Agora a grande questão:

    E aquele cara que é "Gerente de Rede" (ou "Gerente de TI" ou ainda coisa que o valha) na minha empresa que ganha vinte mil reais por mês?

    Lhes digo de alto e bom som: mandem embora esses caras.

    A maioria não sabe nem crimpar um cabo de rede, preferem bloquear a rede à ensinar os usuários (dá menos trabalho), procuram em reuniões utilizar linguagem técnica para "enrolar" meio mundo. Esse tipo de gente tem um medo insano de quem conhece profundamente os (des)caminhos da Rede.

    Explico didaticamente como funciona a coisa: O "Gerente de Rede" bloqueia o Orkut para que o funcionário da empresa não "perca tempo".

    Eu lhes pergunto: O "Gerente de Rede" é chefe desse funcionário? Claro que não! Então, o que o "Gerente de Rede" está fazendo? kkkk Nada! Só se arvorando em Chefe do funcionário que acessa o Orkut.

    O único que teoricamente poderia tomar uma providência em relação ao funcionário que não produz porque fica no Orkut é seu chefe imediato, não o "Gerente de Rede".

    Na Empresa onde trabalho acabamos com o "Gerente de Rede", montamos uma Oficina com Técnicos excelentes, protegemos os terminais, Treinamos os usuários (funcionários) para toda sexta-feira proceder à limpesa de Disco, atualizar os programas de proteção e escanear os HDs dos terminais), configuramos um roteador CISCO, implantamos um Servidor de Arquivos com back-up automático a cada hora (não digo o Sistema Operacional para não fazer propaganda aqui) e, depois de dois anos, a Oficina que estava ociosa faz manutenção dos equipamentos da residência dos funcionários (para que eles não tragam pragas para a empresa).

    Olha Xará (também me chamo Alexandre), desculpe me estender tanto no comentário mas, creio que lhe dará idéias para outros posts interessantes.

    Parabens!

    🙂

  3. Anônimo disse:

    Bom,
    Inicialmente, a idéia de que os Linux é um sistema difícil de instalar caiu por terra hà alguns anos (O Ubuntu – entre outros – está tão fácil de instalar que qualquer pessoa, com um pouco de entendimento – não precisa ser um mestre na informática – instala ele rapidinho). Os projetos a eles associados (GNOME, KDE…) estão tão evoluídos que a diversidade de suas distribuições não influensiam mais na Usabilidade: "O Gnome do Ubuntu será o Mesmo Gnome do Debia, do Fedora, do Red Hat…".

    Acredito que o que dificulta o uso desse MARAVILHOSO sistema no Brasil e no mundo é um determinado Modelo Mental a qual as pessoas estão atreladas e a falta de interesse das pessoas de aprender coisas novas, tive experiências no meu estado (Pernambuco) com pessoas do processo de inclusão digital onde o Linux UBUNTU foi aplicado como sistema operacional principal e as aulas fuiram bem, o uso foi sadio e sem dificuldades, os alunos rapidamente compreendiam o Modelo Mental do GNOME e passavam a ser autodidatas rápido.

    Foi observado, também, que algumas delas, ao serem apresentadas ao Windows, tiveram as mesmas dificuldades da situação inversa.

    Resultado: O que diferencia é o modelo mental pré-formalizado, A impaciência de Aprender Coisas Novas inclusive dos profissionais da área que, ao invés de se capacitarem a aprender diversos SO preferem dizer aos clientes que compram PCs com Linux: "Esse sistema é RUIM me pague R$ 60,00 ~ R$ 100,00 e eu Formato o seu PC e coloco o Windows!!" – fazendo com que os novos usuários nem tenham a experiência inicial.

    Outra dificuldade para o sistema é que alguns computadores já vem de fábricas com distros pouco usuais e com sérias falhas no gerenciamento dos pacotes!

    O Software Livre veio como uma solução para a crise so Sofware das Décadas de 70 e 80, e funcionou, ele gera conhecimento, são bons para a sociedade porque possuem um custo inferior aos proprietário e tem o poder de disceminar o conhecimento.

    Quem Dera as opiniões mudasses, mas o comodismo não deixa.