Perigos do mau uso da tecnologia

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Poucas coisas incomodam mais Richard Guerry, fundador do Instituto para a Comunicação Online e no Celular Responsável (IROC2, da sigla em inglês), do que a onda de processos por pornografia virtual que vem crescendo na Justiça dos EUA. Não, Guerry não faz parte do grupo de defensores aguerridos da liberdade virtual, a ponto de achar que redes de pedofilia na internet são “apenas um reflexo e consequência naturais de baixos instintos humanos quando deparados com o anonimato”. Longe disso. Para ele, adultos que usam a rede para seduzir menores ou estabelecer redes de pedofilia merecem o que a lei destina a estes casos. Ou seja, cadeia.

O que deixa Richard Guerry indignado – e por conta disso ele fundou a IROC2 – é a abordagem de século 20 que a Justiça comum dos EUA vem usando para lidar com manifestações digitais do século 21.

Quer um exemplo (baseado num história real)? Três amigas entre 13 e 15 anos decidem usar seus celulares ou câmeras digitais para um ensaio fotográfico de sutiã e calcinha, inebriadas pelo poder de sedução dos próprios corpos e a facilidade com que se registram essas imagens. Uma amiga manda as fotos para outra, que manda para outra e, no fim, as imagens escapam para amigos no colégio. Duas semanas depois, a diretoria do colégio, indignada, denuncia o “festival de imagens inapropriadas” na Justiça local que, usando da legislação existente, enquadra as meninas por “divulgação de pornografia”.

O fato, observa Guerry, é que nenhuma das adolescentes sabia que suas imagens passaram de celular a celular até se tornarem o grande escândalo do colégio. Além de mortas de vergonha, agora encaram um processo que pode dar até cadeia – ou em trabalhos comunitários…

– Este é um exemplo típico de como a nova geração não tem ideia de o que seja responsabilidade digital e, ao mesmo tempo, de como a antiga geração quer tratar com leis do século 20 fenômenos digitais do século 21 – diz ele.

O GLOBO: As tecnologias digitais subverteram tanto o conceito de privacidade que parece que perdemos a noção de o que é público e o que é privado. Faz sentido?

RICHARD GUERRY: Faz todo o sentido. Tudo pode ser registrado muito facilmente hoje e isso, sem a exata noção de o que é resposabilidade digital, pode ser fatal para a nova geração, para reputações, currículos, relacionamentos, enfim, para tudo que pode ser facilmente afetado por registros digitais de momentos que não deveriam ter sido registrados.

E o que é, afinal, o conceito de responsabilidade digital 2.1C?

GUERRY: É a responsabilidade que a sociedade deve ter diante dos meios digitais do século 21 (21st Century). É ter a noção da amplitude do uso das tecnologias digitais na sua vida e saber que uma foto boba de você sem roupa ou em roupas íntimas tem hoje o poder de ser replicada inúmeras vezes a ponto de comprometer o seu futuro.

Como assim?

GUERRY: Os jovens que hoje, por exemplo, viajam sem os pais para uma casa de praia e acham que, ali, sem intrusos, estão desimpedidos de usar câmeras ou celulares para registrar momentos de nudez, ou mesmo os apaixonados que se deixam levar pelas emoções para registrar momentos íntimos, não têm a exata noção do peso destes atos. É preciso conscientizar os jovens de que o uso das tecnologias digitais, neste sentido, pode jogar contra eles se alguém vaza as imagens para a internet, para uma comunidade no Facebook, ou mesmo no Twitter. Empregos podem ser perdidos por isso. Exemplo? A pessoa diz que não pode ir trabalhar porque está se sentindo mal e passa a mandar mensagens no Twitter sobre sua ida ao cinema ou ao bar. Isso pode ser visto pelo empregador, que se pergunta: “mas ele não estava doente?”. Pode ser mortal para a carreira, como outras experiências digitais.

De que tipo?

GUERRY: Como fotos de nus ou de roupas íntimas. O fato é que as pessoas não têm noção de o que seja responsabilidade digital e é sobre isso que nós, do IROC2, tentamos alertar, para que todos tenham noção de o que é uma bobagem adolescente idiota e saibam separar isso de uma rede profisional de pedofilia. Até agora, os seminários que promovemos em colégios, universidades e comunidades nos EUA têm encontrado boa receptividade. Note bem: não queremos livrar a cara de criminosos que usam a internet para cometer crimes. Nossa intenção é esclarecer sobre os limites da nova realidade virtual e como é fácil cometer o que a legislação comum chama de ilícito.

Por exemplo?

GUEERY: Posso citar, por exemplo, o cyberbullying, que se constitui num grupo ou numa pessoa ameaçar física ou psicologicamente uma outra pessoa na internet. Estas ameaças podem ser gravadas e usadas numa investigação policial qualquer. Então aquilo que era um recalque de uma pessoa contra outra por um motivo bobo, mas que levou uma pessoa a ameaçar outra, pode resultar num processo judicial grave, a ponto de a pessoa ser processada. É preciso amadurecimento, e não vejo pais e professores preocupados com isso.

Os níves de delinquência na internet nos EUA são graves?

GUERRY: São, e fundei o instituto exatamente para tentar reverter este quadro. Não somos um grupo de $que quer punir transgressores. Nosso objetivo é, através de palestras e seminários, alertar sobre as responsabilidades que todos devem ter ao decidir mandar para um grupo de amigos uma foto de uma conhecida ou de um conhecido pelado. Pelas leis atuais, isso não é uma brincadeira. Isso é um crime, passível de detenção.

E qual a pior onda de irresponsabilidade digital entre os jovens americanos hoje?

GUERRY: Sem dúvida o chamado sexting, que é quando alguém envia imagens de pessoas peladas, em roupas íntimas ou fazendo sexo com ou sem o consentimento da pessoa que está sendo retratada. E o chamado sexcasting, que é quando uma pessoa concorda em ser gravada fazendo algo de conotação sexual e esta imagem, que deveria ser vista por apenas uma pessoa numa webcam, acaba caindo num site de pornografia e sendo visto por várias pessoas.

Mas quando alguém fica pelado numa webcam, não sabe dos riscos que corre?

GUERRY: Nem sempre. Às vezes ela acha que aquilo é um momento de excitação a dois e sua imagem acaba num site de pornografia. Como não há contratos, pode-se alegar qualquer coisa. No fim, ainda que se entre com um processo contra, o estrago já está feito. A pessoa está lá, nua, perdeu o emprego e não há como recuperar a carreira. É sobre estes perigos que nosso instituto busca informar.

Fonte: OGlobo.Globo.com.

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Sobre o autor | Website

Blogueiro há 11 anos da área de Educação e Concursos, já publiquei mais de 5 mil notícias neste site; Jornalista Técnico (Registro Nº 1102-MA - Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão - SRTE-MA).

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1 Comentário

  1. Clark Souza disse:

    Meus filhos gostam muito de celular mas fico com medo sobre o eles vão acessar no celular por esse motivo no celular dele tem um programa que me permite ver tudo que é feito celular assim consigo impor limite e protege-los, é muito bom